Tradução não oficial. A versão em espanhol é a oficial e prevalece em caso de divergência.
Nota Metodológica
Este documento é uma recomendação técnica institucional da Sociedad Panameña de Medicina Deportiva (SPMD) para o planejamento médico de eventos esportivos no Panamá, concebida para ser aplicável em outros países da América Latina. Foi elaborado por meio de revisão narrativa estruturada de consensos, diretrizes e estudos de eventos reais, complementada por buscas sistematizadas no PubMed, Europe PMC e Crossref por meio da plataforma EvidenX (setembro de 2026).
Verificação das referências
Cada referência foi verificada individualmente: existência do DOI, correspondência de autores, título, periódico, volume e páginas, identificador PubMed (PMID) quando existente, e leitura do resumo para confirmar que sustenta a afirmação na qual é citada. As afirmações sem respaldo verificável foram retiradas ou marcadas como consenso de especialistas. Complementa as diretrizes da SPMD sobre prescrição de exercício e prevenção cardiovascular [36, 37].
Níveis de evidência
- [A] Metanálises, revisões sistemáticas ou ensaios clínicos randomizados.
- [B] Estudos observacionais, registros e coortes, incluindo estudos em eventos reais.
- [C] Consenso de especialistas, posicionamentos institucionais ou adaptação de normas ao contexto local.
Esta recomendação não é uma diretriz clínica formal desenvolvida com a metodologia AGREE II e não substitui o julgamento clínico individual. Sua aplicação deve considerar as particularidades de cada evento, as condições locais e a legislação vigente. A escala de risco da seção 2 é uma ferramenta operacional adaptada; não foi validada formalmente.
Nota de Versão — v2.0
Edição latino-americana: do número de ambulâncias ao tempo-resposta
A versão 2.0 revisa a v1.6 (DOI 10.5281/zenodo.22087227) para adequá-la à realidade de recursos da América Latina. Mantém a escala de risco, a avaliação pré-participação, o plano de ação de emergência e o marco de responsabilidades, e introduz:
| Mudança | Seção |
|---|---|
| Modelo operacional por tempo-resposta: posto principal + posto 2 + UTI móvel Alfa + motocicletas com DEA, em vez de uma ambulância de suporte avançado a cada 10 km | §4 |
| Dois níveis em cada tabela: Mínimo essencial (piso obrigatório) e Recomendado (padrão ótimo COPAMEDE/SBMEE) | §4 |
| Perfil assistencial do evento: clínico, trauma ou misto (inclui esportes radicais e corridas de obstáculos) | §2.2 |
| Acessibilidade: urbana, acesso difícil, remota e aquática, com requisitos próprios | §2.3 e §6 |
| Manejo da insolação por esforço atualizado: imersão em água fria como padrão, «resfriar primeiro, transferir depois», alternativas de campo | §5 |
| Retirada de requisitos não aplicáveis no nível mínimo (helicóptero, ventilador por posto, farmacêutico obrigatório) e do «Observador Técnico SPMD» | §4 e §9 |
| Revisão completa das referências: correções, novas fontes verificadas e retirada de citações sem respaldo | §10 |
Sumário
1. Introdução — Panamá e América Latina
2. Classificação do Evento: três eixos
2.1 Escala de risco · 2.2 Perfil assistencial · 2.3 Acessibilidade · 2.4 Regras de ajuste
3. Emergências Cardiovasculares e Morte Súbita
3.1 Epidemiologia · 3.2 Avaliação pré-participação · 3.3 Cadeia de sobrevivência · 3.4 DEA · 3.5 PAE · 3.6 RCP
4. Modelo Operacional de Cobertura Médica
4.1 Princípio do tempo-resposta · 4.2 Unidades · 4.3 Cálculo de motocicletas · 4.4 Dois níveis
4.5 Pessoal · 4.6 Perfil assistencial · 4.7 Certificações · 4.8 Equipamentos
5. Calor e Insolação por Esforço
6. Eventos de Acesso Difícil, Remotos e Aquáticos
7. Protocolos de Emergência (resposta, evacuação, IMV-START)
8. Gestão de Saúde Pública
9. Comunicação, Capacitação, Marco Regional e Responsabilidades
10. Referências
1. Introdução — Panamá e América Latina
O Panamá, assim como boa parte da América Latina, tem visto crescer maratonas, triatlos, corridas de obstáculos, esportes radicais, travessias em mar aberto e corridas de montanha. Esse crescimento é positivo, mas exige uma cobertura médica proporcional ao risco e viável com os recursos disponíveis. Copiar requisitos concebidos para grandes eventos de países de alta renda — por exemplo, várias ambulâncias de suporte avançado ao longo do percurso — encarece o evento, desestimula o cumprimento e não necessariamente encurta o tempo até a desfibrilação, que é o que determina a sobrevida na parada cardíaca.
Em corridas de longa distância, a parada cardíaca é rara (1,01 por 100.000 participantes em maratona) e a reanimação iniciada por testemunhas é um dos principais preditores de sobrevida [3]. Com equipes distribuídas ao longo do percurso, RCP em menos de 1 minuto e desfibrilação em menos de 3 minutos, a recuperação neurológica completa chegou a 95,5% em uma série japonesa de 3,2 milhões de corredores [4]. Por isso, esta edição organiza a cobertura em torno de uma métrica: o tempo até o DEA.
A segurança de um evento não se mede pela quantidade de ambulâncias, mas pelo tempo que um desfibrilador leva para chegar a qualquer ponto do percurso. As ambulâncias continuam sendo essenciais para o suporte avançado e a transferência; a primeira resposta é feita por equipes móveis com DEA.
2. Classificação do Evento: três eixos
Risco (quanto) · Perfil assistencial (que tipo de atendimento) · Acessibilidade (quão longe está o hospital)
2.1 Escala de risco (10 critérios, 9 a 36 pontos) [C]
Adaptada da Escala de Graduação de Risco de Eventos da Secretaria Municipal de São Paulo [31]. A soma dos 10 critérios vai de 9 a 36 pontos.
| Critério | Descrição | Pontuação |
|---|---|---|
| Tipo de evento | Escolar ou recreativo: 1 · Nacional ou local: 2 · Internacional de média escala: 3 · Internacional de massa: 4 | 1–4 |
| Local | Aberto e descoberto: 1 · Aberto com cobertura: 2 · Fechado permanente: 3 · Fechado temporário: 4 | 1–4 |
| Duração | <4 h: 1 · 4–6 h: 2 · 6–12 h: 3 · >12 h: 4 | 1–4 |
| Características do público | Familiar: 1 · Geral sem conflitos: 2 · Diverso com turistas: 3 · Com histórico de rivalidade: 4 | 1–4 |
| Idade predominante | ≥65 ou <10 anos: 1 · 11–16: 2 · 17–35: 3 · Misto 36–65: 4 | 1–4 |
| Número de presentes | Até 500: 1 · 501–1.000: 2 · 1.001–5.000: 3 · >5.000: 4 | 1–4 |
| Controle de acesso | Com ingresso: 1 · Gratuito com inscrição: 2 · Aberto: 3 | 1–3 |
| Acomodação do público | Sentado: 1 · Misto: 2 · Em pé: 3 | 1–3 |
| Bebidas alcoólicas | Não permitidas: 1 · Venda controlada: 2 · Sem restrição: 3 | 1–3 |
| Estruturas temporárias | Nenhuma: 0 · <30 m²: 1 · >30 m²: 2 · Suspensas: 3 | 0–3 |
| Nível | Pontuação | Descrição |
|---|---|---|
| BAIXO | 9–15 | Evento local, pequena escala, curta duração |
| MODERADO | 16–22 | Evento regional ou nacional, público médio |
| ALTO | 23–29 | Evento internacional, grande público ou longa duração |
| ESPECIAL | 30–36 | Evento de massa (>10.000 presentes) ou de alta complexidade |
2.2 Perfil assistencial [B/C]
Além do nível de risco, o diretor médico define que tipo de atendimento predomina. Em corridas de trail no Brasil, 66% dos atendimentos foram por doença sistêmica (colapso associado ao exercício, insolação, hiponatremia) e 34% por lesões [25]; em corridas de obstáculos predominam as lesões de joelho e do ligamento cruzado anterior [23]; o BMX apresenta algumas das taxas de lesão mais altas em estudos multiesportivos, com contusões, lacerações e fraturas [24].
| Perfil | Exemplos | Equipe médica | Equipamento adicional |
|---|---|---|---|
| Clínico | Corrida de rua, maratona, ciclismo de estrada, natação em águas abertas | Médico emergencista, clínico ou de medicina do esporte | DEA, imersão em água fria, glicemia capilar, soros, termômetro retal |
| Trauma | Skate, BMX, mountain bike downhill, motocross, esportes de combate, rúgbi | Ortopedia/traumatologia ou médico com formação em trauma pré-hospitalar | Prancha rígida, colar cervical, talas, colchão a vácuo, analgesia |
| Misto | Corridas de obstáculos, triatlo, trail, corridas de aventura | Ambos: médico clínico no posto principal e médico de trauma no posto 2 | Ambos os kits; a UTI móvel leva equipamento de trauma |
2.3 Acessibilidade [C]
O terceiro eixo é o tempo real até um hospital com capacidade resolutiva. Um triatlo na Cidade do Panamá e uma travessia em Guna Yala podem ter a mesma pontuação de risco e necessidades completamente diferentes.
| Categoria | Tempo até o hospital | Exemplos no Panamá | Consequência operacional |
|---|---|---|---|
| A · Urbana | Até 60 min por estrada | Maratonas, 10 km e triatlos na capital | Modelo padrão da seção 4 (se >20 min, 2ª UTI — §2.4) |
| B · Acesso difícil | Trechos sem acesso veicular, mesmo que o hospital esteja perto | Cerro Ancón, trilhas, parques | Equipes a pé com DEA, maqueiros e ponto de extração veicular |
| C · Remota | >60 min ou somente por lancha, aeronave ou a pé | Volcán Barú, Guna Yala, Darién, ilhas | Posto de estabilização prolongada e evacuação planejada (§6) |
| D · Aquática | Mar, rio ou travessia | Natação em mar aberto, travessias | Embarcação ou moto aquática com DEA, salva-vidas em caiaque ou prancha (§6) |
2.4 Regras de ajuste
- Os eventos de acessibilidade C ou D são planejados, em termos logísticos, no mínimo no nível ALTO, mesmo que sua pontuação seja menor.
- Se o hospital de referência estiver a mais de 20 minutos, acrescenta-se uma segunda UTI móvel (§4.4).
- Quando a escala e o cálculo por tempo-resposta (§4.3) divergirem, prevalece o que indicar maior cobertura.
3. Emergências Cardiovasculares e Morte Súbita
3.1 Epidemiologia [B]
| Dado | Achado | Ref. |
|---|---|---|
| Parada cardíaca em corridas de longa distância (EUA, 10,9 milhões de corredores) | 0,54 por 100.000; em maratona, 1,01 por 100.000; 71% fatais. A RCP por testemunhas esteve entre os principais preditores de sobrevida | [3] |
| Corridas de rua no Japão (3,2 milhões de corredores) | 1,31 por 100.000; com RCP <1 min e DEA <3 min, recuperação neurológica completa em 95,5% | [4] |
| Morte súbita relacionada ao esporte na população geral (França) | >90% no esporte recreativo; 93% presenciadas, mas RCP por testemunhas em apenas 30,7%; a RCP e a desfibrilação inicial foram os principais preditores de sobrevida | [5] |
| Atletas universitários (NCAA, 2003–2013) | Morte súbita cardíaca 1:53.703 atletas-ano; o achado de autópsia mais frequente foi a morte súbita inexplicada com autópsia negativa (25%) | [6] |
A maioria das paradas em eventos é presenciada. O que separa a vida da morte é alguém iniciar a RCP imediatamente e um DEA chegar em minutos [3–5].
3.2 Avaliação cardiovascular pré-participação [B/C]
A avaliação pré-participação (APP) busca identificar condições que aumentem o risco de morte súbita, sem excluir desnecessariamente. Baseia-se nas recomendações da ESC [7], nos critérios internacionais de interpretação do ECG em atletas [8] e no posicionamento brasileiro sobre emergências cardiovasculares em eventos [1].
| Componente | Conteúdo | Indicação |
|---|---|---|
| História clínica | Antecedentes familiares de morte súbita (<50 anos) · síncope ou dor torácica ao esforço · palpitações · suplementos e substâncias | Todos os atletas competitivos |
| Exame físico | Ausculta · pressão arterial · pulsos femorais · estigmas de Marfan | Todos os atletas competitivos |
| ECG de repouso | Interpretação segundo critérios internacionais [8] | Recomendado em atletas competitivos; obrigatório diante de sintomas ou antecedentes familiares |
| Teste ergométrico / ecocardiograma | Conforme achados clínicos ou do ECG | Por indicação, não de rotina |
| Classificação | Conduta |
|---|---|
| APTO | Participação sem restrições |
| APTO COM RESTRIÇÕES | Ajuste de intensidade e acompanhamento programado |
| TEMPORARIAMENTE INAPTO | Suspender até resolver ou concluir a investigação (p. ex., miocardite ativa) |
| INAPTO | Condição de alto risco não corrigível: orientação e alternativas |
3.3 Cadeia de sobrevivência adaptada ao evento
| 1. Reconhecer | 2. Acionar | 3. RCP imediata | 4. Desfibrilar | 5. Suporte avançado |
|---|---|---|---|---|
| Colapso, não responde, respiração ausente ou anormal | Rádio para o centro de comando médico; acionar o SEM (911/SUME) se for o caso | Compressões imediatamente; não esperar o médico | DEA em ≤3 min (Recomendado) ou ≤5 min (Mínimo essencial) | UTI móvel: via aérea, acesso venoso, fármacos, transferência |
3.4 DEA — Desfibrilador Externo Automático
| Critério | Padrão SPMD 2026 |
|---|---|
| Tempo de acesso | Mínimo essencial: ≤5 min até qualquer ponto · Recomendado: ≤3 min [2, 4] |
| Portadores | Motocicletas, bicicletas ou equipes a pé; postos médicos; postos de hidratação com voluntário treinado |
| Verificação | Bateria e eletrodos revisados no dia anterior; registro documentado |
| Pessoal treinado | Todo o pessoal de segurança, árbitros, voluntários e organizadores — não apenas o médico |
| Modelo | DEA com instruções de voz em espanhol; preferir modelos com retroalimentação das compressões |
3.5 Plano de Ação de Emergência (PAE)
- Líder médico do evento e sua cadeia de substituição.
- Mapa com a localização dos DEA, postos médicos, motocicletas, acessos para ambulâncias e pontos de extração.
- Protocolo de acionamento: sinal, canal de rádio exclusivo, número interno.
- Pelo menos dois hospitais de referência com tempo real de transferência e acordo prévio.
- Acordo com o SEM público (911/SUME) como retaguarda quando a UTI do evento estiver em transferência.
- Simulado prévio documentado e registro de incidentes para análise posterior.
3.6 RCP de alta qualidade [A/C]
| Componente | Padrão AHA 2020 [9] |
|---|---|
| Compressões | 100–120/min · profundidade de 5–6 cm · retorno completo do tórax · mínimas interrupções |
| Relação | 30:2 sem via aérea avançada; compressões contínuas com via aérea avançada |
| Revezamento | A cada 2 minutos ou antes, se houver fadiga |
| DEA | Posicionar sem interromper a RCP; pausar apenas para análise e choque; retomar imediatamente |
| Fármacos (suporte avançado) | Adrenalina 1 mg IV/IO a cada 3–5 min; amiodarona 300 mg em FV/TV refratária |
4. Modelo Operacional de Cobertura Médica
4.1 Princípio do tempo-resposta [B/C]
O posicionamento COPAMEDE/SBMEE (2026) adota o tempo até a desfibrilação como métrica principal e propõe calcular a distribuição dos DEA de acordo com a velocidade de deslocamento das equipes de resposta [2]. A experiência japonesa com um sistema móvel de resposta rápida com DEA em corridas de rua respalda o posicionamento de equipes ao longo do percurso para iniciar compressões em 1 minuto e desfibrilar em 3 [4]. A SPMD adota esse princípio com duas metas:
| Nível | Meta de tempo até o DEA | Caráter |
|---|---|---|
| Mínimo essencial | ≤5 min em qualquer ponto do percurso | Obrigatório — piso que não pode ser reduzido |
| Recomendado | ≤3 min em qualquer ponto do percurso | Meta sempre que houver recursos |
4.2 Unidades do modelo
| Unidade | Composição | Função |
|---|---|---|
| Posto principal (chegada) | Médico · enfermeiro · 2 socorristas · DEA · oxigênio · área de resfriamento | Atendimento, estabilização e observação. Em uma meia maratona em Singapura houve mais atendimentos na chegada do que ao longo do percurso [13] |
| Posto 2 | Médico · socorrista · DEA | Localizado no terço final ou no ponto de maior risco. Seu médico se desloca na moto-médico quando necessário |
| UTI móvel Alfa (suporte avançado de vida) | Médico · enfermeiro ou paramédico · condutor | Desloca-se até a vítima e realiza a transferência; enquanto transfere, os médicos dos postos continuam atendendo no local |
| Moto-médico | Condutor (enfermeiro, bombeiro ou socorrista) + médico do posto 2 + DEA | Avaliação no percurso e decisão de transferência |
| Motocicletas básicas | Condutor-socorrista com DEA, oxigênio e kit de primeiros socorros | Primeira resposta: RCP e desfibrilação |
| DEA fixo | Em cada posto de hidratação, com voluntário treinado em RCP/DEA | Primeiro elo enquanto a moto chega |
4.3 Cálculo de motocicletas por tempo-resposta
Uma unidade móvel a 40 km/h percorre cerca de 667 m por minuto [2]. Posicionada no centro de seu trecho, cobre 6,7 km com meta de 5 minutos e 4 km com meta de 3 minutos. Conta-se como unidade móvel toda unidade com DEA posicionada no percurso: UTI, moto-médico e motocicletas básicas. O cálculo pressupõe acionamento imediato por rádio; se o acionamento demorar, reduzir o trecho por unidade.
Unidades móveis = distância do percurso ÷ trecho por unidade (6,7 km para ≤5 min; 4 km para ≤3 min), arredondando para cima.
Motocicletas básicas = unidades móveis − UTI posicionadas no percurso − moto-médico. Em percursos de mais de 5 km, pelo menos 1 motocicleta básica (redundância enquanto a UTI transfere).
| Percurso | Mínimo essencial (≤5 min) | Recomendado (≤3 min) |
|---|---|---|
| 5 km | 0 motos básicas + moto-médico + UTI Alfa | 0 motos básicas + moto-médico + UTI Alfa |
| 10 km | 1 moto básica | 1 moto básica |
| 21,1 km | 2 motos básicas | 4 motos básicas |
| 42,2 km | 5 motos básicas | 9 motos básicas |
- A tabela pressupõe 1 UTI Alfa; cada UTI adicional posicionada no percurso substitui uma motocicleta básica.
- Circuitos ou ida e volta: calcular sobre a extensão de via utilizada, não sobre a distância da prova; uma unidade cobre ambos os sentidos.
- Topografia: em subidas, trechos sem acesso veicular ou trânsito não controlado, reduzir o trecho por unidade ou usar equipes a pé (1 DEA por km) ou bicicletas [2].
- Posicionamento: priorizar o terço final e a chegada, onde costuma se concentrar a demanda [13].
4.4 Dois níveis comparados (exemplo: maratona)
A COPAMEDE/SBMEE recomenda, em seu padrão ótimo, ambulâncias de suporte avançado na largada, na chegada e a cada 5 km [2]. A SPMD adota esse esquema como nível Recomendado. Para o nível Mínimo essencial, e de acordo com o princípio do tempo-resposta do mesmo posicionamento, prioriza a desfibrilação por equipes móveis e reserva o suporte avançado para a transferência.
| Elemento | Mínimo essencial (SPMD) | Recomendado (COPAMEDE/SBMEE) |
|---|---|---|
| Tempo até o DEA | ≤5 min | ≤3 min |
| Postos médicos | 2 (principal + posto 2) | Principal + postos adicionais conforme o percurso |
| UTI móvel | ≥1 UTI Alfa + acordo com o SEM público; 2ª UTI se risco ALTO/ESPECIAL ou hospital a >20 min | ≥2; na largada, na chegada e a cada 5 km [2] |
| Ambulância básica de transferência | 1 se >5.000 participantes ou distância ≥21 km | Conforme o plano do diretor médico |
| Motocicletas | 5 básicas + moto-médico | Conforme §4.3 (≤3 min), descontando as UTI posicionadas no percurso |
| Médicos | 3 (posto principal, posto 2, UTI Alfa) | 2–3 para cada 1.000 participantes [2] |
4.5 Pessoal mínimo e dimensionamento [B/C]
Em eventos de rua, a demanda de atendimento varia muito com a distância e o calor: de 1,7 a 2,6 atendimentos por 1.000 participantes em uma meia maratona em Singapura [13], 8,3 por 1.000 em corridas de 21 e 56 km na África do Sul [11] e 19,1 por 1.000 em uma ultramaratona de 90 km [12]. Em corridas de trail no Brasil, 4,5% dos atletas necessitaram de atendimento [25].
| Função | Mínimo essencial | Ajuste |
|---|---|---|
| Médicos | 3: posto principal, posto 2 (com moto-médico) e UTI Alfa | +1 médico no posto principal para cada 5.000 participantes além de 5.000 [C] |
| Enfermagem | 1 no posto principal | +1 para cada médico adicional [C] |
| Socorristas / técnicos em emergência | 2 no posto principal · 1 no posto 2 · 1 por motocicleta | Conforme o trecho e a demanda esperada |
| Voluntários treinados em RCP/DEA | 1 por posto de hidratação | Todos os voluntários em eventos ALTO/ESPECIAL |
4.6 Perfil assistencial e dotação
Aplicar a tabela da seção 2.2. No perfil misto, o médico clínico permanece no posto principal (calor e parada cardíaca) e o médico com formação em trauma no posto 2, localizado nos obstáculos ou trechos de maior risco de queda.
4.7 Certificações
| Nível | Diretor médico | Equipe de saúde |
|---|---|---|
| BAIXO | Habilitação vigente | BLS recomendado |
| MODERADO | Habilitação vigente · ACLS ou PHSLS ou equivalente recomendado | BLS obrigatório |
| ALTO | Habilitação · ACLS ou PHSLS ou equivalente obrigatório · experiência em eventos | BLS obrigatório · ACLS para médicos · formação em trauma pré-hospitalar no perfil trauma ou misto |
| ESPECIAL | O anterior · curso de medicina de eventos (p. ex., REMC da World Academy of Endurance Medicine [16]) recomendado | O anterior · capacitação específica em eventos esportivos |
Habilitação: registro profissional vigente no país (no Panamá, «idoneidad» do Consejo Técnico de Salud). BLS/ACLS: American Heart Association ou equivalente reconhecido. PHSLS: curso de suporte de vida pré-hospitalar no esporte da SBMEE.
4.8 Infraestrutura e equipamentos por nível
| Elemento | BAIXO | MODERADO | ALTO | ESPECIAL |
|---|---|---|---|---|
| Postos médicos | 1 (principal) | 2 | 2 + adicionais conforme o percurso | Conforme o percurso + centro de comando médico |
| DEA | Posto + unidade móvel | Conforme §4.3 (≤5 min) | Conforme §4.3 (≤3 min recomendado) | ≤3 min + DEA nos acessos |
| Monitor-desfibrilador | Na UTI | Na UTI | UTI + posto principal | UTI + todos os postos |
| Resfriamento (WBGT >25 °C) | Banheira com água e gelo | Banheira no posto principal | Área de resfriamento | Área de resfriamento com redundância |
| Aeronave | — | — | Somente se acessibilidade C | Conforme a acessibilidade e o plano |
5. Calor e Insolação por Esforço
A insolação por esforço é uma das principais condições potencialmente fatais em atletas, mas é prevenível e tratável com uma resposta médica adequada [17]. Quando o resfriamento é retardado por mais de 30 minutos, aumentam o dano orgânico, a morbidade e a mortalidade [19].
5.1 Índice WBGT — limiares operacionais SPMD [C]
| WBGT | Risco | Ação |
|---|---|---|
| <21 °C | Baixo | Sem restrições |
| 21–25 °C | Precaução | Aumentar a hidratação; vigiar atletas de risco |
| 25–28 °C | Alerta | Área de resfriamento ativa; sombra; reduzir a intensidade em atletas de risco |
| 28–30 °C | Perigo | Considerar modificar horário, distância ou formato |
| >30 °C | Perigo extremo | Cancelar ou reprogramar |
Em clima tropical, o WBGT pode ser alto desde cedo. Medir a partir das 6:00 e decidir largada, pausa ou cancelamento com base em dados. Na Falmouth Road Race, o WBGT se correlacionou fortemente com a incidência de insolação [20].
5.2 Tratamento: resfriar primeiro, transferir depois [B]
- Imersão em água fria é o padrão: em 454 casos de insolação tratados com imersão na Falmouth Road Race, a sobrevida foi de 100% [20].
- Diagnóstico com temperatura retal; resfriar no local até <39 °C e somente então transferir para avaliação completa [18].
- O Comitê Olímpico Internacional recomenda uma área de resfriamento («heat deck») dentro ou junto ao posto médico principal [17, 18].
- Sem banheira disponível: resfriamento com lona e água ou dispositivos ativos de resfriamento externo. A lona não resfria mais rápido que o manejo habitual e ambos são mais lentos que a imersão [21]; os dispositivos ativos do tipo refrigerante externo superam o resfriamento passivo [22]. São alternativas, não substitutos da imersão.
6. Eventos de Acesso Difícil, Remotos e Aquáticos
O Panamá não conta com um sistema formal de medicina de áreas remotas. Por isso, esta seção não exige especialistas inexistentes: exige capacidades e acordos com as instituições que já atuam no território.
6.1 Categoria B — Acesso difícil
- Equipes a pé com DEA (1 por km) ou bicicletas onde o terreno permitir [2].
- Maqueiros e ponto de extração sinalizado ao qual a ambulância possa chegar.
6.2 Categoria C — Remota
- Posto de estabilização prolongada: oxigênio para várias horas, soros, analgesia, monitor-desfibrilador e controle de temperatura (hipotermia em altitude, como no Volcán Barú; calor no litoral).
- Plano de evacuação escrito: meio (lancha, 4×4, maca, aeronave), operador e tempo real até o hospital.
- Acordos formais com SENAN, SINAPROC, Cruz Vermelha, Bombeiros, MINSA regional e guarda-parques do MiAmbiente, conforme o território.
- Comunicação sem cobertura de celular: rádio VHF ou telefone via satélite.
- Atestado médico obrigatório, equipamento mínimo obrigatório e tempos de corte nos postos de controle.
As recomendações forenses sobre mortes no esporte e na recreação identificam o tratamento oportuno de arritmias em regiões remotas como área de melhoria, e cerca de 60% delas se referem ao DEA [30]. A entrega de DEA por drone reduziu o tempo até a desfibrilação em simulações em áreas não urbanas e de montanha [28, 29]; é uma tecnologia a considerar no futuro.
6.3 Categoria D — Aquática
- Embarcação ou moto aquática com DEA e pessoal de resgate; salva-vidas em caiaque ou prancha distribuídos ao longo do percurso.
- A doença cardiovascular é a principal causa ou fator contribuinte de morte na natação [26]; o edema pulmonar induzido pela natação está associado à água fria e ao esforço intenso [27].
- Ponto de saída da água com acesso a DEA, oxigênio e área de atendimento.
7. Protocolos de Emergência
7.1 Avaliação prévia do atleta
- História clínica com ênfase cardiovascular; ECG em atletas competitivos e em eventos de risco ALTO ou ESPECIAL [7, 8].
- Atestado de aptidão em eventos internacionais e em acessibilidade C ou D.
- Identificação de atletas de maior risco: cardiopatia conhecida, diabetes, >45 anos.
7.2 Plano de resposta e evacuação
| # | Ação | Responsável | Tempo-alvo |
|---|---|---|---|
| 1 | Identificar o colapso e a segurança da cena | Qualquer pessoa | <10 s |
| 2 | Avisar o centro de comando médico | Primeiro respondedor | <30 s |
| 3 | Iniciar RCP | Primeiro respondedor treinado | Imediato |
| 4 | Chegada do DEA (motocicleta ou DEA fixo) | Unidade móvel mais próxima | ≤5 min (≤3 min recomendado) |
| 5 | Desfibrilar se indicado e continuar a RCP | Equipe de resposta | Ao chegar o DEA |
| 6 | Chegada da moto-médico ou da UTI Alfa | Centro de comando | O mais rápido possível |
| 7 | Acionar o SEM público se a UTI estiver ocupada | Centro de comando | <2 min após o colapso |
| 8 | Transferência ao hospital de referência | UTI Alfa | Conforme o protocolo |
| 9 | Documentar e notificar | Diretor médico | Pós-estabilização |
7.3 Incidente com múltiplas vítimas — método START
| Cor | Categoria | Conduta |
|---|---|---|
| VERMELHO | Imediato | Atendimento e evacuação prioritários |
| AMARELO | Tardio | Atendimento em segunda prioridade |
| VERDE | Leve | Reagrupamento e atendimento posterior |
| PRETO | Óbito / não recuperável | Recursos para os recuperáveis |
Mais de 3 vítimas simultâneas acionam o protocolo: o diretor médico assume o comando médico do incidente, aciona-se o SEM público e notificam-se os hospitais de referência.
8. Gestão de Saúde Pública
- Água potável segura e controle de qualidade da água em atividades aquáticas.
- Inspeção de alimentos; lavagem das mãos em pontos estratégicos.
- Áreas de isolamento e notificação imediata ao MINSA diante de casos de notificação compulsória.
9. Comunicação, Capacitação, Marco Regional e Responsabilidades
9.1 Comunicação
- Canal de rádio exclusivo da equipe médica e centro de comando único com mapa do evento.
- Redundância: rádio, telefone e aplicativo de localização.
- Códigos predefinidos: Vermelho (parada), Amarelo (urgência), Verde (consulta).
9.2 Capacitação
A mobilização de respondedores comunitários treinados aumenta a RCP e a desfibrilação antes da chegada do SEM (evidência de certeza moderada), embora seu efeito sobre a sobrevida global permaneça incerto [10]. A SPMD recomenda capacitar voluntários, árbitros e pessoal de segurança em RCP e DEA, e realizar um simulado documentado antes de cada evento.
9.3 Marco regional
Esta recomendação é coerente com o posicionamento COPAMEDE/SBMEE sobre prevenção da morte súbita no esporte [2] , com o posicionamento da Sociedade Brasileira de Cardiologia sobre emergências cardiovasculares em eventos esportivos [1] e com a revisão brasileira sobre planejamento médico de eventos esportivos de massa [14]. Como referências normativas, foram consideradas a Norma 07 da Confederação Brasileira de Atletismo [32], a Resolução 01/2026 da Federação Paulista de Atletismo — que exige um posto médico entre 50 e 150 m após a chegada, duas ambulâncias (uma de suporte avançado e uma básica) e chegada de ambulância em até 5 minutos [33] — e as diretrizes médicas de competição da World Athletics [15]. Em eventos internacionais, segue-se a figura do Delegado Médico prevista nas regras de competição da World Athletics [34].
9.4 Marco legal no Panamá
- Dados de saúde do atleta: Lei 81 de 2019 sobre Proteção de Dados Pessoais [35]; consentimento expresso na inscrição.
- Parcerias: PANDEPORTES, MINSA, CSS, municípios, Cruz Vermelha, SINAPROC e SENAN.
- O Panamá precisa de uma norma específica de cobertura médica em eventos; até lá, esta recomendação serve como referência técnica.
9.5 Responsabilidades
- Organizador: implementar as medidas deste documento e prover os recursos dimensionados pelo diretor médico.
- Diretor médico: validar o dimensionamento (§2 e §4), verificar certificações, elaborar o PAE e entregar relatório pós-evento em ≤15 dias.
- Atleta: declarar com veracidade sua condição de saúde, seguir as orientações da equipe médica e consentir o uso de seus dados para fins de segurança.
- Os eventos súbitos e imprevisíveis tratados conforme estes protocolos não implicam, por si sós, reconhecimento de culpa do organizador nem da equipe médica.
| Prazo | Ação |
|---|---|
| 30 dias antes | Plano médico e PAE enviados ao organizador |
| 7 dias antes | Verificação de certificações e simulado documentado |
| Dia do evento | WBGT a partir das 6:00; verificação de DEA, motocicletas, UTI e rádios |
| 15 dias depois | Relatório técnico-médico e registro de incidentes |
10. Referências
As referências são mantidas no idioma original.
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- Confederación Panamericana de Medicina del Deporte (COPAMEDE); Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE). Posicionamento Oficial: Prevenção da Morte Súbita no Esporte. Versión 1.0. Julio de 2026. Disponible en: https://sportsafetyreport.org/posicionamento
- Kim JH, Malhotra R, Chiampas G, et al. Cardiac arrest during long-distance running races. N Engl J Med. 2012;366(2):130-140. doi:10.1056/NEJMoa1106468. PMID: 22236223.
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